01 · Hormonal

Terapia Hormonal: o tratamento mais eficaz que existe.

Reduz afrontamentos em 75-90%. Protege ossos. Pode reduzir risco cardiovascular se iniciada na janela certa. Não é para toda a gente — mas é para muito mais mulheres do que actualmente a tomam.

O que é, em frase única

A terapia hormonal (TH) repõe o estrogénio que os teus ovários deixaram de produzir. Se ainda tens útero, junta-se progesterona para proteger o endométrio. Ponto.

Para quem faz sentido (indicações)

  • Sintomas vasomotores moderados a severos (afrontamentos e suores nocturnos): tratamento de 1.ª linha. Reduz frequência em 75-90% (vs ~50% no placebo).
  • Síndrome geniturinária da menopausa (SGUM): vai ao tratamentos locais, mais seguros e dirigidos.
  • Prevenção de osteoporose em mulheres com risco aumentado e sintomas associados.
  • Menopausa precoce e IOP: padrão de cuidado até pelo menos os 51 anos. Lê mais sobre IOP.

A janela de oportunidade — em 30 segundos

Se inicias TH nos primeiros 10 anos pós-menopausa OU antes dos 60 anos, o perfil risco/benefício é favorável. Iniciada mais tarde, o benefício cardiovascular pode reverter-se. Esta é uma das descobertas mais importantes da reanálise do estudo WHI.

Formulações — o que existe hoje

Estrogénio

  • Estradiol transdérmico (penso, gel, spray): preferido em mulheres com risco trombótico, hipertensão, enxaqueca com aura ou colelitíase. Evita o primeiro passo hepático.
  • Estradiol oral: aumenta ligeiramente o risco de tromboembolismo venoso (~2x), mas é uma opção válida sem factores de risco.
  • Estrogénios equinos conjugados (CEE): foram os usados no WHI. Hoje em dia, formulações com estradiol micronizado são preferidas em quase todos os contextos.

Progestogénio (apenas se tens útero)

  • Progesterona micronizada (Utrogestan): mais natural, melhor tolerada, perfil mais favorável.
  • DIU com levonorgestrel (Mirena): alternativa eficaz se já o usas. Só protege endométrio se for o de 52 mg.
  • Acetato de medroxiprogesterona (MPA): foi usado no WHI. Associado a maior risco de cancro da mama em ensaios. Hoje preferimos progesterona micronizada.

Riscos — números absolutos, não relativos

Numa mulher saudável a iniciar TH na janela correcta, em 1000 mulheres-ano:

  • Cancro da mama: +0 a +1 caso (depende da formulação e duração)
  • Tromboembolismo venoso: +2-3 casos com estrogénio oral; sem aumento com transdérmico
  • AVC: +0-1 com transdérmico, +1-2 com oral
  • Doença coronária: redução de ~40% em mulheres 50-59 com estrogénio sozinho
  • Mortalidade global: redução de ~30% em mulheres a iniciar TH antes dos 60

Compara com o teu risco basal: o cancro da mama lifetime numa mulher portuguesa é ~10%. A TH adiciona uma quantidade pequena ao numerador.

Quando NÃO se prescreve TH (contra-indicações)

  • Cancro da mama actual ou nos últimos anos (depende do tipo e tempo)
  • Cancro do endométrio
  • Hemorragia vaginal sem causa identificada
  • Doença hepática activa grave
  • Tromboembolismo venoso recente (oral); transdérmico pode ser opção
  • Enfarte agudo do miocárdio recente

Existem zonas cinzentas — discute com a especialista.

Por quanto tempo manter

Não há limite arbitrário. As guidelines actuais (NAMS 2022, IMS) apoiam continuação enquanto os benefícios superam os riscos, com reavaliação anual. Mulheres que iniciam jovens (peri-menopausa, menopausa precoce) podem manter durante muitos anos.

Perguntas para a tua consulta

  1. "Sou candidata a terapia hormonal? Que formulação recomenda para o meu perfil — oral ou transdérmica?"
  2. "Estrogénio sozinho ou combinado? Qual o risco/benefício no meu caso?"
  3. "Por quanto tempo? Como vamos reavaliar?"
  4. "Que sinais devo monitorizar e quando devo voltar?"
  5. "Faz sentido fazer mamografia/densitometria antes de iniciar?"

Fontes: NAMS Menopause Practice 6th ed. — Estrogen and estrogen-progestogen therapy (Pinkerton, 2023, pp. 284-305) · Mary Claire Haver, MD — The New Menopause (2024) · IMS White Paper on MHT (2024).

Próximo passo

Discute com uma especialista

A decisão sobre TH é individual. Procura ginecologista, endocrinologista ou MGF com diferenciação real em menopausa.

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