05 · Nutrição

Proteína em primeiro. Cálcio + vitamina D em segundo. O resto é debate.

A nutrição na menopausa não precisa de ser complicada. Quatro princípios simples têm mais evidência que qualquer dieta da moda.

1. Proteína: 1.0–1.2 g/kg de peso corporal por dia

A perda de massa muscular acelera após os 50 (sarcopenia). Proteína suficiente, distribuída em 3-4 refeições, é a melhor defesa. Para uma mulher de 65 kg: 65-80 g de proteína/dia, ou seja ~25-30 g por refeição.

Fontes de qualidade: ovos, peixe, frango, leguminosas, lacticínios, tofu/tempeh. Vegetariana? Combina leguminosas + cereais.

2. Cálcio: 1000-1200 mg/dia (preferir alimentar)

Lacticínios (1 iogurte = 150 mg), sardinhas com espinha, brócolos, kale, tofu enriquecido. Suplemento se a dieta não chegar — preferir citrato de cálcio em 2-3 doses divididas.

3. Vitamina D: doser e suplementar se baixa

Em Portugal, mais de 60% das mulheres pós-menopáusicas têm deficit. Pede análise (25-OH-D). Alvo: ≥30 ng/mL. Suplementação típica: 1000-2000 UI/dia.

4. Ómega-3: 1-2 g de EPA+DHA/dia

Peixes gordos (salmão, sardinha, cavala) 2x/semana. Suplemento se não comes peixe. Benefício cardiovascular e possível efeito modesto em humor/sono.

Padrão alimentar: Mediterrânico

Não há "dieta da menopausa". A mediterrânica continua a ser a mais robusta:

  • Vegetais e frutas todos os dias
  • Cereais integrais, leguminosas, frutos secos
  • Azeite como gordura principal
  • Peixe e marisco regularmente
  • Lacticínios moderadamente
  • Carne vermelha pouco, processada quase nunca
  • Vinho com moderação (ou não — ver abaixo)

O que NÃO precisas (apesar do marketing)

  • Colagénio em pó (~30€/mês): evidência fraca, marketing forte
  • Adaptogénios genéricos (ashwagandha, maca, etc.): evidência limitada
  • Dietas low-carb extremas: pouco sustentáveis, sem benefício superior
  • Jejum intermitente como "anti-aging": vê o nosso manifesto — evidência mista, não é solução universal
  • Suplementos NMN/NR/resveratrol: hype > ciência

Álcool: a verdade incómoda

Mesmo doses moderadas (1 bebida/dia) aumentam risco de cancro da mama em mulheres pós-menopáusicas (~7% por bebida diária). Também perturba sono e amplifica afrontamentos. A recomendação actualizada: menos é melhor.

Fontes: NAMS 6.ª ed. — Vitamins, minerals and dietary supplements (Millstine 2023, pp. 245-276) · Mary Claire Haver — The New Menopause · OMS álcool e cancro (2023).