Guia

Como preparar a tua consulta. Passo a passo.

Em média, 1/3 das mulheres demora 3+ anos a obter um diagnóstico correcto da menopausa. Não por má vontade dos médicos, mas porque a consulta de 15 minutos não chega para tudo. Chegares preparada muda o jogo.

Antes da consulta — 4 semanas

1. Diário de sintomas (baixa este modelo)

Durante 4 semanas seguidas, regista todos os dias:

  • Ciclo menstrual: dia inicial, duração, intensidade (ligeira/moderada/abundante), saltos
  • Afrontamentos: número/dia, intensidade (1-10), se interferem com sono ou actividades
  • Sono: hora de deitar, hora de adormecer, despertares, hora de acordar, qualidade (1-10)
  • Humor: notas curtas — ansiedade, irritabilidade, tristeza, "nevoeiro mental"
  • Sintomas urogenitais: secura, dor durante sexo, urgência urinária, ITUs
  • Outros: dores articulares, palpitações, fadiga, mudanças de peso

Não precisa de ser elaborado. Uma agenda ou app de notas chega. O que conta é a regularidade e ter dados objectivos para mostrar.

2. Reúne o teu histórico

  • Análises das últimas 12 meses (sangue, urina)
  • Exames imagiológicos recentes (mamografia, ecografia, densitometria)
  • Cirurgias e datas (especialmente ginecológicas)
  • Medicação actual (incluindo suplementos e contracepção)
  • Antecedentes familiares: idade da menopausa da mãe e irmãs, cancros (especialmente mama, ovário, endométrio)

3. Faz o nosso quiz

O quiz STRAW+10 + MRS dá-te uma classificação preliminar da fase e intensidade dos sintomas. Imprime o resultado e leva.

10 perguntas-chave a fazer

  1. "Em que fase da menopausa estou?" — Pede classificação STRAW+10. Isto define muita coisa do tratamento.
  2. "Sou candidata a terapia hormonal?" — Discute riscos absolutos no teu caso, não relativos.
  3. "Que opções não-hormonais existem para mim?" — Mesmo que TH seja opção, é bom conhecer alternativas.
  4. "Tenho sintomas geniturinários. Há tratamentos locais que possa começar?" — Se aplicável, isto é quase sempre tratável.
  5. "Que análises devo fazer regularmente?" — Tensão, perfil lipídico, glicemia, HbA1c, função tireoideia, vitamina D.
  6. "Quando devo fazer densitometria óssea?" — Importante para avaliar risco de osteoporose.
  7. "Que sinais de alerta devo monitorizar?" — Hemorragias anormais, dor, alterações de mamas.
  8. "Faz sentido vermos uma especialista de menopausa?" — Se a médica de família não tem diferenciação, peça referenciação.
  9. "Quando voltarmos a falar?" — Plano de seguimento concreto.
  10. "Posso pedir uma segunda opinião sem comprometer a relação?" — Sim, sempre. Boa especialista valoriza isso.

O que NÃO aceitar

  • "É da idade, vai passar" — verdade parcial. Sintomas têm tratamento. Não tens de aguentar.
  • "As hormonas são perigosas, não recomendo" sem discussão dos teus riscos individuais
  • Cocktails bioidênticos compostos personalizados sem evidência regulatória — lê o nosso manifesto
  • Despacho em 5 minutos sem ouvir o teu diário ou perguntas
  • "Não há nada a fazer" — sempre há. Procura outra opinião.

Os teus direitos

  1. Tempo — uma consulta de menopausa séria não dura menos que 30 minutos.
  2. Informação clara — riscos e benefícios em números absolutos, não percentagens vagas.
  3. Decisão partilhada — tu decides, com informação. A médica orienta.
  4. Segunda opinião — sem culpa, sem aviso obrigatório.
  5. Acesso a especialista diferenciada — se o médico generalista não tem formação adequada.
  6. Reavaliação — qualquer tratamento pode ser ajustado, parado ou trocado.

Depois da consulta

Em 24h, escreve um resumo:

  • Diagnóstico/classificação atribuída
  • Tratamentos propostos e razão
  • Exames pedidos e prazos
  • Próxima consulta: quando, com quem
  • O que ficou por discutir (para a próxima)

Se algo não bateu certo, procura segunda opinião. Médicos são profissionais — não infalíveis.

Próximo passo

Encontra uma especialista diferenciada

Diretório editorial por região — só profissionais com diferenciação real em menopausa.

Ver diretório →