Antes da consulta — 4 semanas
1. Diário de sintomas (baixa este modelo)
Durante 4 semanas seguidas, regista todos os dias:
- Ciclo menstrual: dia inicial, duração, intensidade (ligeira/moderada/abundante), saltos
- Afrontamentos: número/dia, intensidade (1-10), se interferem com sono ou actividades
- Sono: hora de deitar, hora de adormecer, despertares, hora de acordar, qualidade (1-10)
- Humor: notas curtas — ansiedade, irritabilidade, tristeza, "nevoeiro mental"
- Sintomas urogenitais: secura, dor durante sexo, urgência urinária, ITUs
- Outros: dores articulares, palpitações, fadiga, mudanças de peso
Não precisa de ser elaborado. Uma agenda ou app de notas chega. O que conta é a regularidade e ter dados objectivos para mostrar.
2. Reúne o teu histórico
- Análises das últimas 12 meses (sangue, urina)
- Exames imagiológicos recentes (mamografia, ecografia, densitometria)
- Cirurgias e datas (especialmente ginecológicas)
- Medicação actual (incluindo suplementos e contracepção)
- Antecedentes familiares: idade da menopausa da mãe e irmãs, cancros (especialmente mama, ovário, endométrio)
3. Faz o nosso quiz
O quiz STRAW+10 + MRS dá-te uma classificação preliminar da fase e intensidade dos sintomas. Imprime o resultado e leva.
10 perguntas-chave a fazer
- "Em que fase da menopausa estou?" — Pede classificação STRAW+10. Isto define muita coisa do tratamento.
- "Sou candidata a terapia hormonal?" — Discute riscos absolutos no teu caso, não relativos.
- "Que opções não-hormonais existem para mim?" — Mesmo que TH seja opção, é bom conhecer alternativas.
- "Tenho sintomas geniturinários. Há tratamentos locais que possa começar?" — Se aplicável, isto é quase sempre tratável.
- "Que análises devo fazer regularmente?" — Tensão, perfil lipídico, glicemia, HbA1c, função tireoideia, vitamina D.
- "Quando devo fazer densitometria óssea?" — Importante para avaliar risco de osteoporose.
- "Que sinais de alerta devo monitorizar?" — Hemorragias anormais, dor, alterações de mamas.
- "Faz sentido vermos uma especialista de menopausa?" — Se a médica de família não tem diferenciação, peça referenciação.
- "Quando voltarmos a falar?" — Plano de seguimento concreto.
- "Posso pedir uma segunda opinião sem comprometer a relação?" — Sim, sempre. Boa especialista valoriza isso.
O que NÃO aceitar
- "É da idade, vai passar" — verdade parcial. Sintomas têm tratamento. Não tens de aguentar.
- "As hormonas são perigosas, não recomendo" sem discussão dos teus riscos individuais
- Cocktails bioidênticos compostos personalizados sem evidência regulatória — lê o nosso manifesto
- Despacho em 5 minutos sem ouvir o teu diário ou perguntas
- "Não há nada a fazer" — sempre há. Procura outra opinião.
Os teus direitos
- Tempo — uma consulta de menopausa séria não dura menos que 30 minutos.
- Informação clara — riscos e benefícios em números absolutos, não percentagens vagas.
- Decisão partilhada — tu decides, com informação. A médica orienta.
- Segunda opinião — sem culpa, sem aviso obrigatório.
- Acesso a especialista diferenciada — se o médico generalista não tem formação adequada.
- Reavaliação — qualquer tratamento pode ser ajustado, parado ou trocado.
Depois da consulta
Em 24h, escreve um resumo:
- Diagnóstico/classificação atribuída
- Tratamentos propostos e razão
- Exames pedidos e prazos
- Próxima consulta: quando, com quem
- O que ficou por discutir (para a próxima)
Se algo não bateu certo, procura segunda opinião. Médicos são profissionais — não infalíveis.